A síndrome braquicefálica felina afeta raças de focinho achatado, como Persa, Exótico e Himalaio. No gato, a narina estreita é o componente principal, e o palato mole alongado é menos frequente que no cão. Pode piorar com o tempo, mas tem tratamento: o diagnóstico é por exame das narinas e endoscopia, e a rinoplastia amplia a passagem de ar.
O que é a síndrome braquicefálica em gatos?
Persa, Exótico de pelo curto e Himalaio foram selecionados durante décadas para ter a face cada vez mais plana. O crânio encurtou, mas os tecidos moles do nariz e da garganta não encolheram na mesma proporção, e o resultado é um conjunto de estreitamentos que dificultam a passagem do ar. Esse conjunto é a síndrome braquicefálica, a mesma doença conhecida em Bulldogs e Pugs, mas com uma cara própria no gato.
No felino, o componente que mais pesa é a estenose de narinas: as aberturas do nariz são fendas estreitas que colabam ainda mais a cada inspiração. O palato mole alongado, que domina o quadro nos cães, aparece com menos frequência no gato, e a hipoplasia de traqueia é rara. Também contribuem a cavidade nasal comprimida, com cornetos deformados, e o lacrimejamento crônico, porque o canal que drena a lágrima fica tortuoso na face plana.
Como o gato é discreto e passa boa parte do dia dormindo, o tutor costuma interpretar o ronco e a preguiça como jeito da raça. Mas o esforço constante para puxar o ar tem custo: a laringe e a faringe sofrem com a pressão negativa, a inflamação se acumula e o gato vive num estado de ar racionado, que se torna perigoso nos dias quentes e em qualquer situação de estresse ou anestesia.
Quais alterações aparecem nos gatos braquicefálicos?
Quais são os sinais da síndrome braquicefálica em gatos?
Nem tudo é jeito de Persa. Observe se o seu gato tem:
- Ronco alto ao dormir e respiração ruidosa acordado
- Narinas que parecem fendas fechadas e afundam quando ele inspira
- Cansaço e desconforto em dias quentes, procura por piso frio
- Secreção nasal e ocular crônica, com manchas escuras na face
- Respiração de boca aberta após brincar ou em ambiente quente, que é emergência em gato
- Espirros frequentes e fungadas
- Dificuldade para comer, com pausas para respirar
- Sono inquieto, dormindo com o queixo apoiado para manter a via aberta
Como é feito o diagnóstico da síndrome braquicefálica em gatos?
Boa parte do diagnóstico começa no exame físico: observamos as narinas em repouso e durante a inspiração, avaliamos o esforço respiratório e o ruído, e escutamos o tórax. A estenose de narinas é visível a olho nu, mas o que está atrás dela, não. Por isso completamos a avaliação com a endoscopia das vias aéreas superiores sob anestesia: rinoscopia para ver as cavidades nasais e os cornetos, exame da nasofaringe e laringoscopia para medir o palato mole e verificar a laringe.
Quando o quadro é mais intenso do que as narinas explicam, a tomografia computadorizada mapeia toda a arquitetura nasal e ajuda a planejar a correção. A anestesia em braquicefálicos exige preparo e monitoramento específicos, e aproveitamos o mesmo procedimento, sempre que possível, para diagnosticar e corrigir.
Como é o tratamento da síndrome braquicefálica em gatos?
Como no gato a narina é o principal obstáculo, corrigir a narina costuma trazer a maior parte do ganho. A Vet Breathes Brasil já realiza rinoplastia em Persas com essa finalidade.
A rinoplastia amplia as narinas removendo uma cunha da asa nasal e reposicionando a borda, para que a abertura fique larga e não colabe na inspiração. É um procedimento rápido, com recuperação de poucos dias, e a diferença no ruído respiratório aparece de imediato. Quando a endoscopia mostra palato mole alongado obstruindo a laringe, associamos a estafilectomia, o encurtamento do palato, no mesmo tempo cirúrgico.
Controle de peso, ambiente climatizado nos dias quentes, evitar situações de estresse e limpeza diária dos olhos e das dobras da face. Rinite e conjuntivite associadas são tratadas conforme a causa. O manejo clínico ajuda, mas não substitui a correção da narina quando ela é a origem do problema.
A correção precoce, ainda no gato jovem, poupa a laringe e a faringe de anos de esforço e evita que o quadro evolua para estágios mais difíceis de tratar.
Perguntas frequentes
Persa roncar é normal?
É comum, mas não é normal. O ronco é o som do ar passando com esforço por narinas e passagens estreitas. Se o seu Persa ronca acordado, cansa no calor ou respira de boca aberta depois de brincar, vale uma avaliação, porque há correção.
A rinoplastia em gato é uma cirurgia grande?
Não. É um procedimento curto, feito nas narinas, com recuperação de poucos dias e resultado perceptível logo após a cirurgia. O maior cuidado está na anestesia, que em braquicefálicos exige preparo e monitoramento específicos, e a nossa equipe está habituada a isso.
Gato braquicefálico precisa operar o palato como o cachorro?
Com menos frequência. No gato, o palato mole alongado é bem menos comum que no cão, e a narina estreita responde pela maior parte da obstrução. A endoscopia é que diz se o palato precisa ou não ser corrigido junto com a rinoplastia.
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