A estenose nasofaríngea é um estreitamento cicatricial da nasofaringe, a passagem entre o nariz e a garganta, geralmente após rinite viral, refluxo ou aspiração. Reduz muito a respiração nasal e pode ser grave. O diagnóstico é por endoscopia e tomografia; o tratamento é a dilatação com balão sob endoscopia, com stent ou cirurgia nos casos recorrentes.
O que é a estenose nasofaríngea em gatos?
A nasofaringe é o corredor que fica atrás das cavidades nasais e acima do palato mole, por onde o ar que entra pelo nariz segue para a laringe. Na estenose nasofaríngea, uma membrana ou anel de tecido cicatricial cresce nesse corredor e o transforma numa abertura de poucos milímetros, às vezes menor que a ponta de um lápis. O gato respira pelo nariz como quem respira por um canudo apertado.
Na maior parte dos casos a cicatriz é consequência de uma inflamação intensa da região: rinite ou faringite por herpesvírus e calicivírus, infecções bacterianas secundárias, refluxo de conteúdo gástrico durante uma anestesia ou vômito com aspiração, e mais raramente um trauma. Há também gatos em que nenhuma causa é identificada. Afeta gatos de qualquer idade, e é frequente ouvir do tutor que os sinais começaram depois de uma gripe felina forte.
Diferente de um resfriado, a estenose não melhora com o tempo: a cicatriz é fixa e tende a se fechar ainda mais. O gato passa a respirar pela boca, come com dificuldade porque não consegue respirar e engolir ao mesmo tempo, dorme mal e perde peso. É uma condição que afeta muito a qualidade de vida, mas que responde bem quando tratada.
Quais são os sinais da estenose nasofaríngea em gatos?
Os sinais lembram os de um nariz entupido que nunca desentope:
- Ronco e barulho de ar preso no nariz (estertor), presentes até com o gato acordado
- Respiração pela boca em repouso, que em gato é sempre sinal de alerta e emergência
- Interrupções para respirar enquanto come, ou desistência da comida
- Sono agitado, com despertares frequentes e ronco alto
- Secreção nasal que não melhora com tratamentos comuns
- Perda de peso e de disposição ao longo das semanas
- Histórico de gripe felina forte, anestesia ou vômitos pouco antes do início
Como é feito o diagnóstico da estenose nasofaríngea em gatos?
O diagnóstico definitivo é visual. Sob anestesia, fazemos a rinoscopia retrógrada: o endoscópio flexível é introduzido pela boca, sua ponta é fletida por trás do palato mole e enxergamos a nasofaringe de frente. A estenose aparece como uma membrana lisa com um orifício central pequeno, ou como um anel que estreita todo o corredor. Medimos o diâmetro da abertura e a extensão da cicatriz, informações que definem a técnica de tratamento.
A tomografia computadorizada complementa o exame: mostra o comprimento da estenose, a espessura da parede e o estado das cavidades nasais e dos seios, além de afastar outras causas de obstrução, como pólipo ou massa. Quando a história sugere infecção ativa, colhemos material para cultura. Em muitos casos, o diagnóstico e a primeira dilatação são feitos na mesma anestesia.
Como é o tratamento da estenose nasofaríngea em gatos?
O objetivo é reabrir o corredor e mantê-lo aberto. A escolha da técnica depende do tamanho, da espessura e da extensão da cicatriz, e do que já foi tentado antes.
O tratamento de primeira escolha é a dilatação com balão sob endoscopia: um cateter com balão é posicionado dentro da estenose e inflado sob controle visual, rompendo a cicatriz e alargando a passagem. É minimamente invasivo, feito pela boca, sem cortes externos. Algumas vezes a cicatriz tenta se fechar de novo e a dilatação precisa ser repetida. Nos casos recorrentes ou de estenose longa e espessa, colocamos um stent nasofaríngeo, um tubo de malha que mantém o corredor aberto de forma permanente. Em situações selecionadas, quando a anatomia não permite a abordagem endoscópica, a cirurgia aberta com ressecção da membrana pode ser indicada.
Após a dilatação, medicação anti-inflamatória e, em alguns protocolos, aplicação local de medicamento que reduz a formação de nova cicatriz. Se houver infecção associada, ela é tratada com base na cultura. Acompanhamos com reavaliações endoscópicas para agir cedo se a abertura começar a reduzir.
Gatos que passaram semanas respirando pela boca costumam surpreender o tutor no dia seguinte à dilatação: o silêncio ao dormir é o primeiro sinal de que o ar voltou a passar.
Perguntas frequentes
Meu gato ronca desde que teve gripe, pode ser estenose nasofaríngea?
Pode. A gripe felina por herpesvírus ou calicivírus é uma das causas mais comuns de cicatriz na nasofaringe. Se o ronco e a respiração de boca aberta persistem semanas depois de a infecção passar, vale examinar a região por endoscopia.
A dilatação com balão resolve de vez?
Em muitos gatos, uma ou duas dilatações são suficientes. Em outros, a cicatriz insiste em fechar, e aí o stent nasofaríngeo mantém a passagem aberta de forma duradoura. Por isso o acompanhamento endoscópico após o procedimento é parte do tratamento.
Estenose nasofaríngea em gato tem tratamento?
Sim, e costuma responder bem. A dilatação endoscópica com balão é pouco invasiva, feita pela boca, e a melhora da respiração aparece já nas primeiras horas. Casos mais teimosos têm o stent e, em situações selecionadas, a cirurgia como alternativa.
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