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Paralisia Laríngea

Quando a laringe deixa de abrir a tempo e o ar entra com esforço — frequente em cães idosos de porte grande.

Na paralisia laríngea, os músculos que abrem a laringe a cada inspiração deixam de funcionar e as cartilagens ficam fechadas no meio do caminho do ar. Atinge cães idosos de porte grande, como Labrador e Golden. Pode causar crises graves no calor, mas tem tratamento: a laringoscopia confirma o diagnóstico e a cirurgia de lateralização devolve a passagem de ar.

O que é a paralisia laríngea?

A laringe funciona como uma porta que se abre a cada inspiração: as cartilagens aritenoides se afastam, puxadas por um pequeno músculo, para deixar o ar passar. Esse músculo é comandado pelo nervo laríngeo recorrente. Na paralisia laríngea, o nervo deixa de transmitir o comando, as aritenoides ficam paradas em posição fechada ou semiaberta e a entrada da laringe se transforma em uma fenda estreita.

A forma mais comum é a adquirida, em cães de meia-idade a idosos de porte grande e gigante — Labrador, Golden Retriever, São Bernardo, Setter Irlandês, entre outros. Na maioria deles, a paralisia é a primeira manifestação de uma polineuropatia geriátrica: uma degeneração lenta dos nervos mais longos do corpo que, com o tempo, também pode afetar a força das patas traseiras e a deglutição. Existem ainda formas congênitas em filhotes de algumas raças e formas secundárias a trauma, massas no pescoço ou doenças hormonais.

Sem tratamento, o esforço para respirar cresce com a idade, com o calor e com o excesso de peso. O risco é a crise: em um dia quente ou depois de um esforço, a laringe inflama, incha e o pouco espaço que restava fecha — um quadro de angústia respiratória que pode ser fatal em minutos.

Quais são os tipos de paralisia laríngea?

Adquirida (idiopática)
A mais frequente. Cães idosos de porte grande, geralmente como parte de uma polineuropatia geriátrica de evolução lenta.
Congênita
Aparece em filhotes e cães jovens de raças predispostas, como Bouvier des Flandres, Husky Siberiano e Dálmata.
Secundária
Lesão do nervo por trauma, cirurgia ou massa no pescoço, ou associada a doenças como o hipotireoidismo.

Quais são os sinais da paralisia laríngea?

  • Ruído áspero na inspiração (estridor), que piora com esforço e calor
  • Latido rouco, abafado ou que "mudou de voz"
  • Cansaço muito rápido nos passeios
  • Intolerância ao calor: ofego que não acalma nem em repouso
  • Engasgos e tosse ao comer ou beber
  • Crises de falta de ar após agitação, com gengivas roxas
  • Fraqueza nas patas traseiras aparecendo junto — sinal da polineuropatia

Como é feito o diagnóstico da paralisia laríngea?

O diagnóstico é feito por laringoscopia sob sedação leve — leve de propósito. Precisamos observar a laringe enquanto o cão respira espontaneamente, para ver se as aritenoides se abrem na inspiração ou permanecem paradas. Se a sedação for profunda, até uma laringe normal para de se mover e o exame perde valor; por isso, quando necessário, usamos um estímulo respiratório para confirmar. No mesmo exame avaliamos edema, eversão de sáculos e colapso associado.

Antes da cirurgia, a radiografia de tórax é obrigatória para procurar pneumonia aspirativa e megaesôfago, e exames de sangue avaliam a tireoide e o estado geral. Uma avaliação neurológica ajuda a dimensionar a polineuropatia e a conversar com honestidade sobre o que esperar.

Como é o tratamento da paralisia laríngea?

A paralisia em si não regride, mas a obstrução tem solução. A escolha entre manejo clínico e cirurgia depende da gravidade dos sinais, da idade e das outras condições do paciente.

Clínico

Indicado nos casos leves e como preparo para a cirurgia: manter o cão magro, evitar calor e exercício intenso, usar peitoral, sedativos leves em situações de agitação e anti-inflamatórios para reduzir o edema da laringe. Nas crises, oxigênio, resfriamento e sedação são urgência — e, se a obstrução não cede, a via aérea precisa ser garantida com intubação ou traqueostomia temporária.

Cirúrgico

A lateralização unilateral da aritenoide (conhecida como tie-back): fixamos uma das cartilagens em posição aberta com suturas permanentes, criando uma passagem definitiva para o ar. O acesso é lateral, no pescoço, a recuperação é rápida e a melhora na respiração costuma ser imediata. Como a laringe fica parcialmente aberta também na deglutição, o cão passa a ter maior risco de aspirar alimento — o cuidado com a alimentação após a cirurgia é parte do tratamento.

A complicação mais importante, antes e depois da cirurgia, é a pneumonia aspirativa. Por isso orientamos alimentação em pequenas porções, ajuste da consistência do alimento e atenção a qualquer tosse, febre ou apatia. Com esses cuidados, a grande maioria dos cães operados recupera o fôlego e volta a passear com conforto.

Perguntas frequentes

Paralisia laríngea em cães tem cura?

O nervo não se recupera, então a paralisia é permanente. Mas a obstrução que ela causa tem solução cirúrgica definitiva: a lateralização da aritenoide abre a laringe de forma permanente e o cão volta a respirar com conforto. Nos casos leves, o manejo clínico pode ser suficiente por um bom tempo.

Meu cachorro idoso respira com barulho, pode ser paralisia laríngea?

Em cães idosos de porte grande, um ruído áspero na inspiração que piora no calor e no exercício, junto com latido rouco, é o quadro típico. A laringoscopia sob sedação leve confirma em minutos. Vale investigar antes do verão — as crises acontecem nos dias quentes.

Vale a pena operar um cachorro idoso de paralisia laríngea?

Na maioria dos casos, sim. A cirurgia é relativamente curta, a recuperação é rápida e a melhora na qualidade de vida é grande — o cão deixa de viver com falta de ar. A decisão leva em conta o estado geral, a presença de megaesôfago e o risco de pneumonia aspirativa, que conversamos abertamente na consulta.

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