O pólipo nasofaríngeo é uma massa inflamatória benigna que nasce no ouvido médio do gato e cresce para a nasofaringe ou o canal auditivo. Não é câncer, mas obstrui a respiração e causa otite. O diagnóstico é feito por endoscopia sob sedação e tomografia; o tratamento é cirúrgico e costuma devolver a respiração livre.
O que é o pólipo nasofaríngeo em gatos?
O pólipo nasofaríngeo é uma massa de tecido inflamatório, benigna, que se forma na mucosa do ouvido médio ou da tuba auditiva, o canal que liga o ouvido à garganta. A partir dali ele pode crescer em duas direções: para a nasofaringe, a região atrás do palato por onde o ar passa do nariz para a laringe, ou para o canal do ouvido, atravessando o tímpano. Alguns gatos têm as duas apresentações ao mesmo tempo.
É uma doença tipicamente de gatos jovens, muitas vezes com menos de dois anos, sem preferência clara de raça. A causa exata não é conhecida; a hipótese mais aceita é uma inflamação crônica do ouvido médio, possivelmente ligada a infecções respiratórias virais dos primeiros meses de vida ou a uma alteração do desenvolvimento.
Quando cresce na nasofaringe, o pólipo funciona como uma rolha: o ar deixa de passar pelo nariz, o gato ronca e passa a respirar pela boca, o que para um felino é sinal de sofrimento. Quando cresce no ouvido, causa otite que não responde a tratamento e pode afetar o equilíbrio. Como é benigno, ele não se espalha, mas não regride sozinho e vai aumentando com o tempo.
Quais são os sinais do pólipo nasofaríngeo em gatos?
Os sinais dependem de para onde o pólipo cresceu. Em gato jovem, desconfie de:
- Ronco alto, mesmo acordado, e respiração ruidosa pelo nariz (estertor)
- Respiração pela boca em repouso, que é sempre emergência em gato
- Secreção nasal persistente, com ou sem espirros
- Voz diferente, miado abafado ou rouco
- Dificuldade para engolir, engasgos ou ânsia ao comer
- Otite que volta sempre, com secreção no ouvido e cabeça inclinada
- Perda de equilíbrio ou olhos com movimento oscilante (nistagmo)
- Uma pálpebra caída e pupila menor de um lado (síndrome de Horner)
Como é feito o diagnóstico do pólipo nasofaríngeo em gatos?
A nasofaringe fica escondida atrás do palato mole e não aparece num exame de consultório com o gato acordado. Por isso a avaliação é feita sob sedação ou anestesia: levantamos o palato e examinamos a região com o endoscópio, incluindo a rinoscopia retrógrada, em que a ponta flexível do aparelho é virada para trás para enxergar a nasofaringe de frente. O pólipo aparece como uma massa lisa, rosada e pediculada, bem característica. Também examinamos o canal do ouvido com otoscopia.
A tomografia computadorizada complementa a endoscopia: mostra a origem do pólipo dentro da bula timpânica, a cavidade óssea do ouvido médio, e indica se há material acumulado ali. Essa informação decide a técnica cirúrgica. A biópsia da massa removida confirma que se trata de um pólipo e afasta tumores, que são raros nessa faixa de idade mas precisam ser excluídos.
Como é o tratamento do pólipo nasofaríngeo em gatos?
O tratamento é cirúrgico. Remédio não faz o pólipo desaparecer, mas a remoção costuma trazer alívio imediato: muitos gatos já saem da anestesia respirando pelo nariz.
A técnica mais usada é a tração-avulsão: sob anestesia, com o palato afastado, o pólipo é pinçado pela base e retirado com tração firme e controlada, arrancando também o pedículo que o prende ao ouvido. É rápida, pouco invasiva e frequentemente resolve. Quando o pólipo recorre, ou quando a tomografia mostra doença extensa dentro da bula, indicamos a osteotomia ventral de bula, uma cirurgia que abre o ouvido médio pelo pescoço para remover toda a origem do pólipo e reduzir muito a chance de ele voltar.
Após a cirurgia, um curso curto de anti-inflamatório pode reduzir a chance de recorrência e controlar a otite associada. Antibiótico entra quando há infecção secundária confirmada no ouvido.
Depois da cirurgia é comum uma síndrome de Horner transitória, com pálpebra caída e pupila menor do lado operado, por irritação de um nervo que passa pelo ouvido médio. Costuma melhorar sozinha em algumas semanas. Avisamos antes para você não se assustar.
Perguntas frequentes
Pólipo nasofaríngeo em gato é câncer?
Não. É uma massa inflamatória benigna, que não se espalha para outros órgãos. Ainda assim, precisa ser removida, porque obstrui a respiração e não regride sozinha. A biópsia após a cirurgia confirma o diagnóstico.
O pólipo pode voltar depois da cirurgia?
Pode, principalmente após a tração-avulsão, porque parte da origem no ouvido médio pode permanecer. Nesses casos a osteotomia de bula remove a base do pólipo e a recorrência fica bem menos provável. Acompanhamos o gato após a cirurgia justamente para pegar qualquer retorno cedo.
Meu gato ficou com o olho caído depois da cirurgia, é normal?
É a síndrome de Horner, um efeito esperado e geralmente transitório: pálpebra caída, pupila menor e terceira pálpebra aparente do lado operado. Acontece por irritação de um nervo que passa pelo ouvido médio e tende a resolver em semanas, sem tratamento específico.
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