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Rinite Crônica em Gatos

Espirro que não passa não é gripe mal curada: é um sinal com várias causas possíveis, e cada uma pede um tratamento diferente.

A rinite crônica felina, ou rinossinusite, é a inflamação persistente do nariz e dos seios do gato, com espirros e secreção por semanas ou meses. Pode ter causa viral, fúngica, dentária, tumoral ou um corpo estranho. O diagnóstico usa rinoscopia com biópsia, tomografia e testes para criptococose; identificada a causa, há tratamento para cada uma.

O que é a rinite crônica em gatos?

Rinite é a inflamação da mucosa que reveste as cavidades nasais; quando os seios da face também participam, falamos em rinossinusite. Chamamos de crônica a que persiste por semanas ou meses, ou que melhora com antibiótico e volta assim que o tratamento termina. É uma queixa frequente e frustrante, porque tratar sem investigar leva a ciclos de melhora e recaída.

O ponto central é que rinite crônica não é um diagnóstico, é um sinal. Por trás dele pode haver a sequela de uma gripe felina antiga, em que o herpesvírus ou o calicivírus destruíram parte dos cornetos e deixaram o nariz sem defesa contra bactérias; uma infecção por fungo, em especial a criptococose, que no Brasil merece atenção especial e pode formar um inchaço na ponta do nariz; um corpo estranho como uma folha de grama; um pólipo; uma raiz de dente inflamada que se comunica com a cavidade nasal; ou uma massa, sendo o linfoma nasal a mais comum nos gatos mais velhos.

Deixar a rinite sem investigação tem custo: o gato que não sente cheiro come menos e perde peso, e as causas mais sérias, fungo e tumor, avançam enquanto se trata só o sintoma. Descobrir a causa é o que abre a porta para um tratamento que funciona.

Quais são as principais causas da rinite crônica em gatos?

Pós-viral
Sequela de herpesvírus ou calicivírus, com destruição de cornetos e infecção bacteriana secundária recorrente.
Fúngica
Criptococose, principalmente. Pode causar deformidade no nariz e afetar olhos e sistema nervoso.
Corpo estranho
Folha de grama, semente ou fragmento inalado, com espirros súbitos e secreção de um lado só.
Pólipo nasofaríngeo
Massa benigna que obstrui a passagem atrás do palato, mais comum em gatos jovens.
Massa nasal
Linfoma e outros tumores, geralmente em gatos idosos, com secreção sanguinolenta e deformidade da face.
Doença dentária
Raiz de dente infeccionada que se comunica com o nariz, causando secreção de um lado.

Quais são os sinais da rinite crônica em gatos?

Procure ajuda especializada se o seu gato apresenta:

  • Espirros repetidos por mais de três ou quatro semanas
  • Secreção nasal persistente, clara, amarelada ou com sangue, de um lado ou dos dois
  • Ruído ao respirar pelo nariz e ronco que não existia antes
  • Respiração de boca aberta, que em gato é sempre emergência
  • Perda de apetite e de peso, porque o gato não sente cheiro da comida
  • Inchaço ou deformidade no nariz ou na face
  • Melhora com antibiótico e recaída logo depois
  • Olho lacrimejando ou inchado do mesmo lado da secreção

Como é feito o diagnóstico da rinite crônica em gatos?

A investigação segue uma ordem lógica. Depois da história e do exame físico, incluindo a boca e os dentes, partimos para a tomografia computadorizada, que mostra a extensão da inflamação, a destruição de cornetos, o comprometimento dos seios, raízes dentárias doentes e a presença de massas, com detalhe que a radiografia não oferece. Em seguida, sob a mesma anestesia, fazemos a rinoscopia: o endoscópio percorre as cavidades nasais pela frente e a nasofaringe por trás, permitindo ver a mucosa, retirar corpos estranhos e colher biópsias dirigidas das áreas alteradas.

O material da biópsia vai para exame histopatológico e cultura, que identificam inflamação, fungo, bactéria ou tumor. Para criptococose, pedimos ainda o teste de antígeno no sangue, que é sensível e ajuda a acompanhar a resposta ao tratamento. Quando o quadro sugere, incluímos testes para os vírus respiratórios e para retroviroses felinas.

Como é o tratamento da rinite crônica em gatos?

O tratamento é o da causa. Por isso a investigação vem antes: cada diagnóstico leva a um caminho diferente, e vários deles resolvem de forma definitiva.

Clínico

Na rinite pós-viral, o objetivo é o controle a longo prazo: lavagens nasais, umidificação, anti-inflamatório quando indicado e antibiótico guiado por cultura nas reagudizações, além de suporte imunológico e manejo do estresse, que reativa o herpesvírus. Na criptococose, o tratamento é com antifúngico por meses, com acompanhamento pelo teste de antígeno até a negativação. Quando há tumor, encaminhamos ao oncologista: o linfoma nasal, em particular, costuma responder bem à quimioterapia ou à radioterapia.

Cirúrgico

Corpo estranho é removido durante a própria rinoscopia, com alívio imediato. Pólipo nasofaríngeo é retirado por tração ou por osteotomia de bula. Doença dentária com comunicação para o nariz pede extração do dente e fechamento da fístula.

Mesmo na rinite pós-viral, em que a mucosa não volta a ser como antes, um plano de manejo bem desenhado reduz muito os espirros e a secreção, e devolve ao gato o olfato, o apetite e o conforto.

Perguntas frequentes

Meu gato espirra há meses, o que pode ser?

Espirro persistente é rinite crônica, e ela tem várias causas possíveis: sequela de gripe felina, fungo, corpo estranho, pólipo, problema dentário ou tumor. O antibiótico costuma melhorar por um tempo e o quadro volta. Investigar por tomografia e rinoscopia é o que revela a causa e direciona o tratamento.

Criptococose em gato tem cura?

Tem tratamento, com antifúngico por vários meses e acompanhamento pelo teste de antígeno no sangue até negativar. Quanto mais cedo o diagnóstico, antes que atinja olhos ou sistema nervoso, melhor a resposta. Por isso todo gato com rinite crônica no Brasil deve ser testado.

Rinite crônica em gato é contagiosa para outros gatos ou para pessoas?

Depende da causa. Herpesvírus e calicivírus passam entre gatos, mas não para pessoas. A criptococose não se transmite de gato para pessoa nem entre gatos; ela vem do ambiente. Corpo estranho, pólipo, dente e tumor não são contagiosos.

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Seu gato espirra há semanas e o antibiótico não resolve?

Tem uma causa por trás disso. A rinoscopia com biópsia e a tomografia encontram, e a partir daí o tratamento faz sentido.